Embora eu tenha criado esse blog para falar sobre música, literatura e cinema, pouco tenho escrito sobre este último tema. Para falar a verdade, o post anterior, sobre os oscars, foi o primeiro sobre a Sétima Arte desde a mudança do J&D para o Google/Blogger. Bem, isto vai mudar e pretendo ir ao cinema pelo menos uma vez por semana, para poder fazer uma resenha dos filmes que vi.

Ontem fui ver
O curioso caso de Benjamin Button e, de cara, fiquei impressionada com a sala do cinema lotada. Desde a época em que eu era criança eu não via o cinema tão cheio quanto ontem. Acredito que tenha sido a junção feriado - Oscar o que elevou o interesse sobre o filme, quase fora de cartaz no Rio.
De fato, Brad Pitt mostrou que sabe atuar. Na estranha história do homem que envelhece ao contrário, imagine a dificuldade (semântica, até) de interpretar uma criança de sete anos que tem a aparência (e a voz, trejeitos, movimento corporal, etc) de um velhinho de 80? Não é um trabalho fácil e ele merece todo o aplauso que conquistou com o filme (aliás, mais um parêntesis: a maquiagem realmente é esplêndida e mereceu o oscar que ganhou).
Começar esta resenha falando sobre técnicas de atuação e maquiagem é ser um pouco injusta com a beleza da trama em si, narrada de forma bem competente no filme. Sua premissa já daria uma boa história de sci-fi, com várias cenas com cientistas loucos criando fórmulas mirabolantes para o protagonista. No entanto, este filme se aprofunda nas relações humanas e não foca o "problema" de Benjamin Button, mas o efeito que ele tem nas pessoas em sua volta. Quando finalmente pode ficar com sua amada Daisy (Cate Blanchett em atuação protocolar), o que Benjamin Button pode esperar para o futuro? O rejuvenescimento constante o levará inevitavelmente a uma condição de constante dependência da parceira. E como uma mulher bonita, vaidosa, poderia manter a sanidade ao ver suas rugas aumentando, enquanto seu companheiro fica jovem a cada dia?
No quesito atuação, vale destacar também o belo trabalho da até então desconhecida Taraji Henson, que faz a mãe adotiva de Benjamin. Sua Queenie é um misto de fortaleza e meiguice, coisa difícil de acertar a mão.
O filme é longo para padrões atuais - 2h27 - mas não se vê a hora passar, de tão bom que ele é. É dirigido por David Fincher que, com mais este filme (além de
Seven e
Clube da Luta), prova que sabe extrair atuações convincentes do maior galã de Hollywood no momento, ator dado a canastrices como
Encontro Marcado e
Tróia. Que a parceria se prolongue, para o bem de todos e felicidade geral da nação! Amém.