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terça-feira, 17 de julho de 2012

Sds

"De: carmela@empresa.com.br
Para: jose@empresa.com.br
Assunto: Formulário

Caro sr. José,

Preciso que o sr. nos envie, com urgência, a segunda via do formulário para solicitação de material ao almoxarifado.

Sds,

Carmela"

"De: jose@empresa.com.br
Para: carmela@empresa.com.br
Assunto: Re:Formulário

Oi Carmela! Já passo aí para entregar o formulário.

Também estou com saudades, mas, poxa, a gente nem trabalha tão longe assim! Dá uma passada na minha mesa de vez em quando...

Beijos,

José"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sem nome

São nove horas da noite. Volto para casa de ônibus. Estou cansada, minhas pernas doem, meus olhos ardem: tudo que quero é descansar.

O ônibus para em um sinal e, vindo do nada, um menino se alinha às janelas do veículo. Pequeno, magro, chinelinhos que mal protegem os pés imundos. Seus olhos suplicam, ele ergue as mãos, pede um trocado.

Fecho os olhos. Não quero ver, não quero sentir, fecho os olhos porque estou cansada, minhas pernas doem, meus olhos ardem e quero chegar em casa, oh, como eu quero chegar em casa!

Abro os olhos e o truque de mágica se concretizou. O menino desapareceu, como que dissolvido pela garoa fina que caía. E senti a humanidade morrer dentro de mim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Conto breve

Primeiro foram as mãos. Foi a primeira parte do corpo de Otávio que eu vi. Eram mãos de dedos longuíssimos e finos, como talos de margarida. As unhas, bem rosadas, se uniam em grupo, folheando uma revista com tanto cuidado que ela parecia o pergaminho mais antigo do mundo.

Depois, o sorriso. Alguma coisa na revista o fizera sorrir, e seus dentes eram bem brancos e alinhados. Os lábios eram normais, nem finos, nem grossos, mas bastante vermelhos. E como a boca estava ali, para notar seu nariz levemente adunco era um passo. E depois de notar o nariz, os olhos negros, de um negror tão forte que íris e pupila se fundiam.

E de novo os dedos, quando ele passou para a outra página. Eram dedos que combinavam deliciosamente com seus braços, também compridos. Às vezes, quando ele me abraçava, dava a impressão de que podia abraçar o mundo todo junto. Braços que se uniam nas minhas costas, dando um nó tão perfeito que pensei que nunca se desmancharia.

Mas se desmanchou. E agora, a última parte do corpo de Otávio que eu vi eram suas costas largas, caminhando decididamente para uma direção oposta a que eu queria que caminhasse.

  • P.S.: Já escrevi esse conto há algum tempo, e gosto muito dele.