O fato é que eu não gosto de puxar conversa na rua. Não sou daquelas pessoas simpáticas que iniciam conversas nas filas, fazem amizades instantâneas. [Mas também não sou mal-educada: se uma pessoa me pergunta uma informação, eu a forneço da melhor forma possível.] Então, achei que ouvir meu MP3 player, além de alegrar um pouco a viagem de ônibus, também evitaria essas conversinhas vazias que não levam a lugar nenhum e só servem para preencher tempo e encher o saco. Ledo engano.
Hoje fui fazer prova para um concurso e cheguei cedo ao local de aplicação dos exames. Na frente da escola havia uma praça grande, com vários bancos, e pensei ter encontrado um plano infalível para evitar essa chateação: estava com fone de ouvido e lendo um livro. Duas coisas.
Tolice a minha. Vem um camarada na minha direção e só vejo a boca dele se mexendo - óbvio que não vou ouvir nada do que você está falando, bagual, tô com um puta fone no ouvido! Tiro o fone de ouvido e vem a pergunta: "Você também vai fazer prova pra guarda municipal?".
E só. O babaca me interrompe para perguntar apenas isso. Afe maria.
Respondo e aí o colega, não satisfeito em me incomodar uma vez só, ainda senta no mesmo banco que eu, fumando um cigarro.
Calcule, leitor(a) amigo (a) do blog, que a praça estava cheia de bancos vazios. Para que este animal vai se sentar do meu lado, jogando fumaça fedida de cigarro em cima de mim? Não aguentei.
"Amigo, você vai me desculpar, mas com tantos bancos vazios nessa praça, você não vai vir fumar justo do meu lado, né?"
Ele retrucou que era o único banco que tinha sombra, mas minha cara não devia estar para brincadeiras, porque ele logo se levantou e foi fumar seu cigarro em outro banco.
Estou chegando à conclusão que o meio mais efetivo de evitar isso será colocar uma camisa com o aviso "Não perturbe!", iguais àqueles que colocam nas portas de quarto de hotel.