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quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Baudolino", do Umberto Eco

Essa é a segunda resenha que fiz para o vlog, sobre o Baudolino.



sábado, 14 de julho de 2012

Minha pilha de livros

O blog anda meio (muito!) abandonado, mas isso não quer dizer que estou paradona, sem fazer nada. Desde o início do ano estou envolvida com um vlog que mantenho no Youtube, o Minha pilha de livros. A proposta é resenhar alguns livros que eu li e dividir minhas impressões a respeito dessas obras.

O primeiro vídeo está bem tosco, iluminação péssima e eu não paro de fazer caretas (rs).


Desde esse primeiro vídeo, acho que melhorei bastante a questão das caretas (rs) mas a qualidade da imagem ainda é ruim porque utilizo minha câmera digital para gravar, e ela não é HD. Aliás, o dia em que eu começar a gravar em HD será também o dia em que terei que aprender a fazer maquiagens decentes, pois todos os defeitos ficarão visíveis!

Vou repostar aqui, aos poucos, o material que já tenho lá.

É isso!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Resenha: "Alice"

Confesso que o lançamento de "Alice", do Tim Burton, acabou influenciando a minha decisão de ler este livro em julho. Em uma ótima promoção, comprei uma edição linda de Alice no país das maravilhas - Através do espelho, da Jorge Zahar, com as gravuras originais de John Tenniel e a tradução caprichada de Maria Luísa Borges (que ganhou o prêmio Jabuti por ela).

Apesar de ser uma história infantil, penso que os adultos talvez se divirtam mais com os diálogos completamente nonsense que Alice trava com os habitantes do país das maravilhas e do espelho. Porém, acho o livro altamente aconselhável a crianças, principalmente porque estimula o questionamento o tempo todo: se não é Alice a fazer as perguntas, são os seres que ela encontra pelo caminho que esgotam a paciência da menina com perguntas fora de propósito para a nossa lógica humana - mas cheias de sentido para eles.

Como fã dos Beatles, já sabia da influência de Lewis Carroll no trabalho de John Lennon, mas ao ler Alice, dá para visualizar perfeitamente componentes do estilo de Carroll em algumas músicas de Lennon. As letras de Lucy in the sky with diamonds, A day in the life  e I'm the walrus são exemplares para perceber essa influência.

Devo fazer um parênteses para elogiar essa edição caprichada da Jorge Zahar, que acertou em tudo: a capa dura, em amarelo, com forro em contrastante roxo; os tipos utilizados na diagramação, bem de acordo com o livro; a escolha do papel amarelado, sem aquele branco lavado que incomoda a vista; e o formato, em livro de bolso. Tudo nota 10!

Quanto ao conteúdo, me diverti muitíssimo. Quatro de cinco estrelas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Resenha: "A volta"

Bruce e Andrea Leininger eram pais de James, um adorável garotinho de dois anos. A criança crescia saudável e feliz, a não ser por um terrível problema: James sofria com pesadelos horripilantes quase todas as noites. Eram relatos chocantes e fiéis sobre um homem que morria em um acidente de avião. Até o nome da marca do avião o garotinho sabia - e era um caça da Segunda Guerra Mundial.

"A Volta" é o relato de como esses pais tiveram que deixar de lado suas crenças, rever seus conceitos, para tentar entender o que acontecia com seu pequeno. Após anos de buscas, eles chegaram à conclusão de que James é a reencarnação de James Houston Jr., piloto de caça americano da Segunda Guerra que morrera em uma ação no Pacífico.

O livro tem fotos interessantes de James Houston durante a Guerra e desenhos do pequeno James que mostram grandes batalhas aéreas, sangue e fogo, muito fogo - algo forte para uma criança pequena. Mas, se levarmos em conta a parte escrita, documental, o livro é monótono e gira em círculos. Para não chegar diretamente à conclusão das pesquisas conduzidas pelos pais do menino, o jornalista que redigiu a história, Ken Gross, dá voltas em torno das personalidades de Andrea e de Bruce, mas acaba soando extremamente repetitivo no processo.

Avaliação: O tema é interessante, mas a forma como foi tratado acabou deixando a leitura bastante chata em vários pontos. Duas estrelas e meia.

P.S.: para quem se interessa pelo assunto, os pais do menino mantêm um site sobre o livro: www.soulsurvivor-book.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

Resenha: "Um bonde chamado desejo"

Jamais havia lido ou visto trabalho algum de Tennessee Williams, e fui começar logo com o que é considerada sua obra-prima: "Um bonde chamado desejo".

Na peça, Blanche DuBois é uma professora de inglês vinda de uma tradicional família do Sul dos EUA. Após perder a fazenda da família, ela vai passar uns tempos na casa da irmã Stella, casada com o operário Stanley Kowalski. O choque de culturas entre a aristocrática Blanche com o cunhado grosseirão é o que dá a tônica para toda a peça, com Stella se desdobrando para representar um ponto de equilíbrio entre personalidades tão opostas. A tensão do relacionamento entre os três vai num crescendo até que revelações sobre a vida pregressa de Blanche forçam o clímax da história.


Vivien Leigh como Blanche e Marlon Brando como Kowalski no filme de 1951* 


Difícil discorrer sobre "Um bonde chamado desejo" sem estabelecer comparações entre o autor e Nelson Rodrigues: são estilos narrativos muito parecidos, o mesmo apreço pela temática do conflito pessoal e familiar, o desejo sexual como forma de punição para a mulher (mas de extravasamento para o homem), etc. Em vários momentos da leitura, eu podia ver relações com peças rodriguianas como "A falecida", "Bonitinha, mas ordinária", só para citar algumas.


Escrita no final da década de 1940, na América do pós-guerra, "Um bonde chamado desejo" retrata a mudança de valores que esse período da história trouxe para a sociedade americana - especialmente numa região tradicional como a Nova Orleans, que, na época, vivia uma efervescente cena de jazz e blues.

Avaliação: quatro de cinco estrelas, porque a história é datada [e ainda prefiro Nelson Rodrigues].

P.S.: chama a atenção o fato de haver apenas um personagem não-branco que tenha nome (Pablo, parceiro de carteado de Stanley). A vizinha negra ganhou o nome de "Mulher Negra". A vendedora de flores é a "Mexicana". Reflexos do preconceito racial da época, talvez?

*Por algum motivo que ignoro completamente, o filme recebeu o título em português de "Uma rua chamada pecado".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Resenha: "Orlando"

Meu primeiro e único contato com a literatura de Virginia Woolf até hoje havia sido Mrs. Dalloway - que cheguei a comentar com certa frequência no bloguito antigo. Para o Projeto 12 livros em 12 meses, resolvi arriscar em fevereiro a história de Orlando, o nobre inglês praticamente imortal que é homem na primeira parte do livro, e se transforma em mulher na outra metade.

**** SPOILERS ****

O estilo de escrita de Virgínia é o mesmo que encontrei ao ler Mrs. Dalloway, sem dúvidas: o "flanar narrativo" está lá, presente. Só não é tão intenso como em Mrs. Dalloway porque não acompanha vários personagens quase que simultaneamente, mas apenas se debruça sobre a vida de Orlando.

 
Tilda Swinton como Orlando, na adaptação cinematográfica da obra.

Quanto ao enredo, é interessante como Orlando encara com naturalidade a transição para o sexo feminino, como se já soubesse o tempo todo que isso iria acontecer: tudo é muito trivial, fleumático, british. A forma como Orlando contempla a vida não muda com o sexo, então é curioso pensar que, fora a metamorfose física, ele continua o mesmo ser humano na essência. Embora a própria Virgínia tenha tentado pontuar justamente o contrário, que a mudança de sexo alterou a visão de Orlando, não foi bem isso que senti ao ler o romance. Então, pensando nesse aspecto, a história não atingiu o seu objetivo - ou cobriu um outro inteiramente diferente, tipo "mirou em um e acertou em outro".

Vale pontuar que a leitura foi facilitada enormemente pelo fato de a tradução ser de Cecília Meireles: o texto está um primor e, acredito, não deve estar muito distante do próprio original.

No geral, classifico como três de cinco estrelas porque é inevitável a comparação com Mrs. Dalloway e, dessa forma, Orlando é uma obra inferior quando comparada.

Trecho a destacar: toda a parte em que Virgínia Woolf escreve o parto do filho de Orlando é maravilhosa.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Resenha: "Gomorra"

Acabei esperando o último dia do mês para poder escrever a resenha de Gomorra, de Roberto Saviano, livro que me propus a ler em janeiro para o "Projeto 12 livros em 12 meses". Como os posts abaixo atestam, tive um pouco de dificuldade no início da leitura pela descrição excessiva em algumas passagens, o que melhorou consideravelmente no decorrer do livro. Falo, agora, de outros aspectos positivos e negativos da obra.

O livrorreportagem de Saviano é um dossiê completo sobre a máfia napolitana Camorra, e desmistifica muitas imagens que fazemos dos mafiosos - culpa dos filmes hollywoodianos, evidentemente. Para seus integrantes, a máfia é encarada como um empreendimento, um grupo empresarial que atua em vários ramos. Contam, é claro, com um braço armado cada vez mais potente, mas os fins gerais são sempre o lucro e o crescimento. Envolvem-se na venda de desde armas e drogas até roupas de marca falsificadas e empreendimentos imobiliários. Eles têm alcance em governos municipais, estão basicamente por toda parte, conforme conta o relato minucioso de Saviano.

Cena do filme "Gomorra", adaptação do livro.

Só que esse relato minucioso trouxe um grande problema: são muitas "famílias", muitos clãs, localidades, nomes. É fácil se perder nas descrições, e o livro peca muito em não contar com infográficos, tabelas e outros recursos visuais que ajudassem a visualizar as relações de poder dentro das famílias, as rotas de venda de drogas e armas, etc.

O fato de o autor ter nascido e sido criado em Nápoles contribuiu muito para que a narrativa não ficasse distanciada, jornalística demais. Há emoção envolvida na medida certa, de forma que também não beire o pieguismo. Isso, realmente, é um ponto muito positivo em Gomorra.

Colocando em termos mais gerais, temos assim:

Prós: Panorama completo da máfia, boa noção de seu funcionamento; envolvimento emocional do autor na medida certa; relato detalhado.

Contras: descrições desnecessárias excessivas; muitos nomes e sem recursos visuais para ajudar a compreender as relações de poder.

Avaliação geral: 4 de 5 estrelas

domingo, 24 de janeiro de 2010

Gomorra: segundas, terceiras e quartas impressões

Só um update sobre a leitura do livro. Tendo chegado à sua segunda parte, devo dizer que ele melhorou sensivelmente, bastante mesmo. A leitura está fluindo que é uma beleza.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"Gomorra": Primeiras impressões

Comecei a ler Gomorra, o livro que escolhi para ler em janeiro no Projeto 12 livros em 12 meses. Um pouco atrasada, é verdade: esqueci completamente que tinha duas provas de concurso público marcadas para este mês, tendo que desviar o tempo de leitura para os estudos. Enfim, antes tarde do que nunca e peguei Gomorra para ler no dia 14, mais ou menos.

Gomorra é o livrorreportagem de um jornalista que se infiltrou na máfia italiana, a Camorra. Bom, eu adoro livrorreportagem, o assunto máfia me interessa (adoro filme de mafioso, pelo menos), então havia tudo para eu gostar do livro, certo?

Pois é. Mas a verdade é que estou me arrastando na leitura, muito pelo excesso de descrições do autor em determinadas passagens. Sem sacanagem: ele passa um capítulo quase que inteiro descrevendo o Porto de Nápoles. E se repetindo, claro, porque a descrição rende vááárias páginas. "Tá, eu já entendi que o Porto de Nápoles é isso e assado! Vamos agora ao que interessa?" é o que vem à mente do leitor neste momento.

Nas páginas seguintes, ele até melhora, entra na história de como ele virou estivador e braço direito de um chinês com ligações com a máfia italiana. Mas, de vez em quando, cai de novo no tique descritivo: numa hora, foram umas duas páginas descrevendo uma estrada! Sim, uma es-tra-da!

Só sei que, para um livro sobre a máfia, ele está surpreendentemente chato. Vamos ver se melhora com o correr dos dias...

domingo, 18 de outubro de 2009

Livro: "Cartas do front"

Então eu consegui terminar de ler Cartas do front, que comprei na Bienal. Demorou, mas foi - além de ler beeem devagar, quase duas páginas por dia (ou melhor, noite, porque leio antes de dormir), fiz digressões para ler Caçada ao maníaco do parque (livro-reportagem, legalzinho) e começar A falecida, do Nelson Rodrigues.

E o que posso dizer do livro? Recomendo com louvor, crianças. O organizador saiu mundo afora à procura de cartas escritas por soldados durante conflitos para seus familiares, amantes, amigos, além das cartas de resposta dessas pessoas que tentavam, mesmo que à distância e por papel, levantar o moral das tropas. Pensei que seria um livro pesado, triste, mas o organizador conseguiu equilibrar: tem cartas engraçadas, leves, superinteressantes, histórias de amor que deram certo (ou não). Também tem cartas tristíssimas, é claro - e engasguei várias vezes lendo o livro. Mas é um relato que ninguém deveria se furtar de ler.

Tem um capítulo especial só com cartas dos pracinhas brasileiros que serviram durante a Segunda Guerra Mundial. Vou colocar uma aqui bem engraçadinha, enviada por Otto da Costa Soares ao irmão Walter, que estava combatendo na Europa. A carta foi escrita depois do fim da guerra, em 8 de maio de 1945:

Prezado irmão,
Em virtude dos últimos acontecimentos no cenário da guerra, tem sido grande, entusiástica mesmo, a alegria que reina em toda parte do Brasil.
Aqui no Rio, o Dia da Vitória foi bem expressivo e veio encher de alegria os corações das famílias que têm representantes na FEB e cujo maior desejo sempre foi ver, de vez, o fim dessa grande tragédia que tanto feriu a humanidade.
Agora só nos resta ver de volta aos lares os valentes soldados que souberam elevar bem alto o nome de nossa pátria.
O assunto em foco aqui no Brasil, atualmente, são as eleições.
Ainda bem que vocês virão todos a tempo para apreciar de perto as suas fases finais.
Há quase um mês que não recebemos carta tua e estamos na expectativa.
Todos aqui estão bem de saúde e enviam abraços. Mamãe manda-te muitos beijos e só pensa na tua volta...
Festa agora aqui é mato. Quase todos os dias me aparecem convites. Pequenas aqui é mato também.
Eu já não posso dar conta de todas elas.
Um abraço fraterno,
Otto Costa Soares.

domingo, 20 de setembro de 2009

Poe, o escritor alemão da Idade Média

Fazendo um tour pelos meus blogs de leitura diária, vejo um post da Raquel avisando sobre um congresso internacional que começa hoje em BH, em homenagem aos 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe. "Por que esse congresso não foi no Rio de Janeiro?!", foi meu primeiro pensamento.

Eu sou apaixonada pela obra do Poe. Meu primeiro contato com ele foi na sétima série, quando a professora de português passou como livro paradidático "O Escaravelho de Ouro e outras histórias", editado pela Ática. Contém algumas das histórias horripilantes de "Histórias Extraordinárias", o livro original do Poe: "O barril de Amontillado", "O gato preto", "A queda da casa de Usher", entre outros. Lembro de ter ficado muito assustada com "O gato preto" e logo elegi "O barril de Amontillado" como meu conto favorito.

Foi através do Poe que reacendi meu interesse por Sherlock Holmes: eu já gostava do detetive inglês por causa do jogo "Scotland Yard", da Grow, mas só fui ler os contos depois de ter conhecido o Poe, que foi o precursor do gênero policial. Sherlock é o herdeiro natural de Dupin, o detetive criado por Poe em "Os assassinatos da Rua Morgue" que, como Sherlock Holmes, recorre à dedução lógica para solucionar mistérios.

Muito bem, mas o que isso tudo tem a ver com o título maluco desse post? Bem, o título faz referência a uma história muito engraçada que aconteceu comigo envolvendo o Poe - história essa que conto agora.

Já adulta, ganhei de um namorado a obra completa do Poe. Na época estudante e estagiária, naquela contenção de despesas própria dessa fase da vida, adorei o presente. Eu morava no Rio e estudava e trabalhava em Niterói, gastava duas horas em transporte público para chegar do outro lado da poça. Com isso, eu lia muitos livros no ônibus e na barca, e as obras completas do Edgar Allan Poe eram perfeitas para esse propósito: como era um tomo único (e de dimensões pequenas também), podia levá-lo para ler no caminho para o trabalho.

Num desses dias de leitura no ônibus, um rapaz que vinha a meu lado resolveu puxar conversa:

"Poxa, você gosta mesmo de ler, né? Não largou esse livro nem por um instante..."

"Gosto" - foi minha resposta seca, porque detesto que me interrompam quando estou lendo.

Mas o rapaz não desistiu de puxar conversa comigo: olhou a capa do livro que eu estava lendo, leu o nome do autor e quis parecer entendido:

"Poe, é? Não é aquele escritor alemão?"

"Poe era americano", respondi, a título de elucidação.

"Ah...", fez ele, pensando um pouco. Porém, tentou mais uma vez:

"Era escritor da Idade Média, né?"

Não sei como o coitado do rapaz achou que haveria algum escritor americano na Idade Média, mas o esclareci que Poe não existia ainda na era medieval. Cansado de dar tanta bola fora, o cara simplesmente considerou:

"Acho que vou ler a obra dele também".

Espero sinceramente que o tenha feito.

sábado, 12 de setembro de 2009

Flashes da Bienal

Nem bem cheguei da Bahia ontem, hoje já estava na Bienal do Livro, fuçando aquelas publicações difíceis de encontrar nas livrarias. Cheguei às 10h30 e achei que, em coisa de duas ou três horas, já estaria voltando para casa. Cá estou eu, chegando em casa às 21h... Por que ainda me iludo com essas coisas?

Não consegui me segurar e acabei comprando alguns livros. Tenho uma lista quase perpétua de livros para ler que só aumenta, e a Bienal não ajudou muito. Acabei voltando para casa com mais seis livros (um deles sendo uma coletânea!) para ler... Vou listá-los em ordem cronológica de compra:

1) "A bolsa e a vida - Economia e religião na Idade Média", Jacques Le Goff

Foi no estande da Record, que estava lotado de gente para a sessão de autógrafos do Bernard Cornwell. Enquanto os fãs esperavam ansiosos pelo autógrafo de um nada satisfeito Cornwall (estava com uma cara de cansaço...), passeei pelo estande semilotado e acabei, como sempre, parando na seção de História. Tenho um fraco por história medieval (vocês vão comprovar isso mais adiante), então gostei de cara do título desse livro. Comprei na hora.

2) "Os Cavaleiros de Cristo - Templários, teutônicos, hospitalários e outras ordens militares na Idade Média", Alain Demurger

Não disse que tinha um fraco pela Idade Média? Pois então.



3) "Cartas do Front - Relatos emocionantes da vida na guerra", Andrew Carroll

Comprei junto com o livro de cima e, meu Deus, nem sei como vou conseguir ler. Acho que só com uma caixa de lenço ao lado. O livro é todo formado por cartas enviadas por soldados a seus familiares, amadas, etc. Ele cobre desde as guerras mundiais até a guerra do Iraque. O autor ainda pesquisou o que aconteceu com cada uma dessas pessoas.

Olhando pelo lado mundano da coisa, esses dois livros foram o maior negócio que eu fiz na Bienal inteira. Eles estavam no estande já com 50% de desconto: os dois saíam à R$ 56, uma pechincha. Só que ainda pude usar o reembolso do ingresso da Bienal. Resultado? Paguei a bagatela de R$ 44 pelos dois livros.

4) "The plays of Oscar Wilde"

Pela parede envidraçada do estande da Livraria da Travessa, vi a ilha de livros da edição de pocket-books da Worsdworth Classics e não resisti: acabei entrando para garimpar alguma coisa. Achei esse tomo com todas as peças teatrais escritas pelo Wilde. Como romancista, confesso que não gostei do estilo dele, e justamente porque ele ficaria mais adequado se fosse uma peça de teatro. Então, voi-là! Quem sabe não gosto mais dele como dramaturgo?

5) "Hans Staden: Duas viagens ao Brasil"

No estande da L&PM, achei um livro com as cartas de Hans Staden, prefaciado pelo Eduardo Bueno: para uma viciada em História como eu, é como achar ouro. O estande da editora estava lo-ta-do ao limite do insuportável e, para justificar a fila imensa que eu ia pegar para comprar esse livro, resolvi levar mais um, que foi...


6) "Um bonde chamado desejo", Tennessee Williams
O livro me atraiu pela capa: a foto de um lindíssimo Marlon Brando como Kowalski. O filme eu não vi, mas achei melhor começar lendo a peça teatral. Depois suspiro por Marlon/Kowalski...

domingo, 12 de julho de 2009

Adaptações e adaptações

Esta semana tomei dois sustos. É que dois dos meus autores preferidos estão tendo suas obras adaptadas, e vi dois trailers - de um filme e uma série - dessas adaptações. O motivo do susto é que, pelo que ficou mostrado, as duas adaptações parecem modificar muitas coisas do original.

Não que necessariamente isso seja uma coisa ruim. Não sou "fãndamentalista", de achar que uma adaptação tem que ser exatamente igual ao original. Mas algo não bateu legal em um dos trailers. Vamos por partes:

1) Sherlock Holmes

O meu detetive preferido vai virar filme a ser lançado esse ano. Quem dirige é Guy Ritchie (ex-Madonna), que tem uns filmes de ação bem legais (gosto especialmente de RocknRolla). É uma escolha inusitada de diretor, visto que Sherlock é super cerebral e raramente recorre ao seu passado como pugilista para pegar os bandidos.

Quando vi o trailer, percebi que Guy imprimiu seu ritmo: a impressão que deu é de um 007 na Inglaterra vioriana. Sherlock soca oponentes, luta muito e flerta intensamente com Irene Adler (que não se chama Amélia, mas que ele diz ser a "mulher de verdade" no conto Um escândalo na Boêmia). Bem diferente, portanto, do detetive fleumático e quase assexuado a que estamos habituados.

Tudo considerado, não achei uma alteração ruim e vai servir para dar uma olhada numa personalidade alternativa. É como se fosse aquele Planeta Bizarro dos quadrinhos do Superman, em que tudo é ao contrário. Tendo isso em mente, pretendo me divertir bastante vendo esse filme - ainda mais que quem faz Sherlock Holmes é esse fenômeno que se chama Robert Downey Jr.

2) Emma

Depois de anunciar a morte do drama de época na sua grade de programação, a BBC nos dá a derradeira oferenda à Jane Austen: uma adaptação de Emma. Está longe de ser meu romance austeniano favorito, mas Emma tem certas particularidades que não vi no promo liberado pela rede de TV britânica.

Foi um susto quando anunciaram oficialmente que Jonny Lee Miller (de Eli Stone) interpretaria o austero sr. Knightley. Cara de novinho, aparência muito descansada e marota, o ator não tinha nada que pudesse sugerir um homem de quase 40 anos, sisudo e dono de uma propriedade, com várias pessoas sob sua influência (como Knightley é descrito do livro). E, depois de ter visto o trailer, sorry: o erro de casting se confirmou, infelizmente. Ele é risonho e não passa o ar grave que Knightley deve ter. Sem contar na suprema injustiça de tê-lo interpretando, pela segunda vez, um herói austeniano (ele foi Edmund Bertram naquela versão grotesca de Mansfield Park).

Há uma cena que me incomodou demais. Nela, Emma chora convulsivamente e diz a Knightley que o ama, mas que não pode se casar com ele. Depois, sai correndo, desesperada. Ora, isso não condiz em nada com a personalidade de Emma!

Parece contraditório que eu goste de uma adaptação que muda totalmente a personalidade do Sherlock Holmes, mas fique irritada com outra que altera a de Emma Woodhouse. Eu digo que não. Se for para mudar um personagem, prefiro como Guy Ritchie fez: mudou logo tudo, subverteu a ordem. Porque, se é para deixar Emma quase igual ao romance, para que enfiar uma cena piegas daquela e que nada tem a ver com o personagem original?

Mas Jane Austen é vício, e mesmo a pior adaptação de sua obra merece uma vista, nem que seja para falar mal.

quinta-feira, 26 de março de 2009

China descobriu o Brasil

E a América, a Austrália, a Antártica... A afirmação é de Gavin Menzies, autor do livro que estou lendo no momento: 1421 - O ano em que a China descobriu o mundo. Oficial da Marinha Britânica, Menzies tem como hobby estudar cartas náuticas antigas. E foi durante esses estudos que ele descobriu a façanha chinesa: em 1421 - antes de Colombo, Cabral e Cook - uma enorme frota partiu da China com o objetivo de descobrir novos mundos, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve (tá, isso é a abertura de "Jornada nas Estrelas", mas se aplica ao caso). Voltaram em 1423, depois de terem circunavegado todo o mundo.

O livro assusta: é um catatau de 550 páginas em letra pequena. Mas o tema é tão interessante para mim que estou adorando. Acabo aprendendo um pouco sobre a história da China medieval e como ela estava avançada em comparação com a Europa no mesmo período. O imperador responsável por essa expedição marítima, Zhu Di (segundo da dinastia Ming), incentivou o intercâmbio cultural entre países da Ásia e da África, compilando um vasto conhecimento sobre ciências e astronavegação. Construiu a Cidade Proibida e transformou Pequim na capital do Império. Estimulou a construção naval e reformou a Grande Muralha da China, adicionando 1.400 km a sua já gigantesca estrutura.

Quem parte na expedição, como comandante da frota, é o eunuco de confiança de Zhu Di, Zheng He. Não sabia que existiam eunucos na China, muito menos que eles alcançavam postos mais prestigiosos do que simplesmente servirem de guarda para os haréns. E a forma que o autor descreve Zheng He está muito longe da imagem que costumo fazer de um eunuco:

Era uma figura imponente, mais alto do que Zhu Di. De acordo com alguns relatos, tinha mais de dois metros de altura, pesava mais de 100 quilos (...) Nas dobras de sua veste de seda branca, ele guardava um cofrinho cravejado de pedras que continha os restos murchos de seu pênis e seus testículos, fato este que lhe valeu o apelido de San Bao, "O Eunuco das Três Jóias".
Resumindo: comprei o livro para conhecer a história naval, mas ganhei um bônus - uma visão da sociedade e da política chinesa no século XV. Recomendo!

  • A foto é de um modelo de navio chinês típico desse período. Eles tinham, em média, 146 metros de comprimento. Só para se ter uma ideia da dimensão, a nau Niña, de Colombo, tinha apenas 11 metros!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dorian Gray é descendente de Willoughby

Continuo a leitura de O retrato de Dorian Gray e hoje tive uma surpresa ao ler o livro: Oscar Wilde faz uma clara referência a Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, na obra, sugerindo que Dorian é descendente de Willoughby, o cafajeste do livro de Austen!

Trata-se do capítulo XI, no trecho em que Dorian Gray está visitando a galeria de retratos de seus antepassados. De repente, dois nomes muito familiares saltaram a meus olhos, e a proximidade com que eles foram escritos não deixa margem para dúvidas: não se trata de simples coincidência.

E George Willoughby, com seus cabelos empoados e seus fantásticos lunares? Como parecia malvado! Seu rosto era taciturno e escuro e sua boca sensual parecia arquear-se com desdém. Sobre suas mãos ossudas e amareladas, sobrecarregadas de anéis, caíam delicados folhos de renda. Havia sido um dos homens mais elegantes do século XVIII e grande amigo, em sua juventude, de lorde Ferrars.
Vamos às pistas:

1) Tá, em Razão e Sensibilidade, o primeiro nome de Willoughby é John. Mas George pode ser seu segundo nome (ou vice-versa). Willoughby não me parece ser um sobrenome comum;

2) Razão e Sensibilidade se passa no final do século XVIII;

3) Lorde Ferrars não poderia ser Edward, claro, que virou pároco, mas sim seu irmão, Robert Ferrars, que tinha aspirações políticas e acabaria herdando toda a fortuna da família.

Acho que as pistas são bem sólidas, não? Dorian Gray é descendente de Willoughby!

Quantos livros você já leu na vida?

Minha irmã desenvolveu um gosto tardio pela leitura, aos 23 anos. Quando ela começou a ler com mais assiduidade, teve uma ideia: anotar em um bloquinho todos os livros que ela já leu, uma lista com todas as histórias que ela leu na vida. Ela me contou sobre esse novo hábito, riu e disse: "Impossível você fazer essa lista, hein?"

E ela tinha razão. Eu sempre gostei demais de ler, e leio muito desde os 5 anos. Como vou lembrar agora, com 27, tudo o que eu já li em todos esses 22 anos?

Mas foi um desafio que eu me propus a fazer quando Paula me indicou o Skoob, uma espécie de rede de relacionamentos em que a base é o hábito da leitura: o que você está lendo, o que já leu e o que vai ler.

Primeiro, delimitei que só colocaria livros juvenis, nada de literatura infantil: é a partir da coleção Vaga-lume em diante. Depois, decidi acrescentar os livros que li para a faculdade e obras técnicas relacionadas à minha profissão.

A conta está em 201 livros. Acho pouco. Dureza vai ser lembrar dos livros que eu pegava na biblioteca da escola... era quase um por dia.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O retrato de Dorian Gray

Finalmente comecei a ler O retrato de Dorian Gray, livro que está na minha lista de leitura há três vergonhosos anos.

Oscar Wilde em pose de Dorian Gray

Tá certo que, até o momento, só li o primeiro capítulo, mas digamos que ele não "desceu redondo". Não sei se foi o fato de a tradução pomposa de Enrico Corvisieri (*cof, cof* Oscar Mendes *cof, cof*), cheia de vírgulas e orações de 10 linhas, ter dificultado um pouco o início do livro. Porém, é certo que grande parte da culpa recai sobre Oscar Wilde.

No diálogo inicial entre Lorde Henry Wotton e o pintor Basílio* Hallward, Wilde faz um esforço tremendo para tornar cada frase memorável, "quotable". Mas, ao mesmo tempo que realmente nos traz algumas pérolas, como a que citarei abaixo, torna o diálogo pouco fluido e muito forçado, decididamente inverossímil. Vamos ver como o romance se desenrola: se é precipitado julgar um livro por sua capa, também o é avaliá-lo por seu primeiro capítulo.

Ah, a citação que gostei vem da boca de Lord Henry:

(...) a verdadeira beleza acaba onde começa a expressão intelectual. A intelectualidade é em si mesma um exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Desde o instante em que alguém se senta para pensar, torna-se todo nariz, ou todo fronte ou alguma outra coisa assim horrível.

*Que diabo de nome é esse para um inglês? Aposto 1 libra que no original o nome do sujeito é Basil. Mania besta de traduzir nome! Se vai fazer assim, porque então não traduziu o "Lorde Henrique"? Eu, hein...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lista de livros para ler

Como se a lista já não estivesse grande o bastante, eu ainda fiquei toda animadinha com o filme "Possessão" e comprei o romance que o inspirou. Agora a lista está quilométrica... (eu me odeio).

<-(Obras completas de Fernando Sabino, em três volumes)

Com o ritmo em que estou lendo "Emma", talvez em 2050 eu termine essa lista de leitura!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Não gosto de Marian Keyes

Pronto! Ufa! Disse!

Antes que pedras e tomates voem em minha direção, permitam-me fazer um mea culpa: eu não sei se poderia fazer essa afirmação tendo lido apenas metade de um livro da autora, mas, meu Deus, que livro ruim. O livro em questão é "Melancia".

Se você não leu o livro (e pretende ler), pare agora ou cale-se para sempre, porque aí vem os temidos spoilers.

A trama é arrastada e nada envolvente. O interesse amoroso da personagem (Adam) é um Mr. Nice Guy tão ao pé da letra que ganhou o título de sonífero ambulante.

Mas, apesar destes poréns, eu ia aguentando estoicamente a história. Afinal, tantas pessoas haviam me recomendado o livro, não era possível que a história fosse tãããão ruim assim (ah, o senso comum, esse enganador).

Mas eis que chega a parte em que o ex-marido, que abandonou a personagem principal/narradora da história no dia em que ela dá à luz a filha deles, diz à protagonista que o fim do casamento deles foi culpa dela! E ELA ACEITA ISSO!

O livro só não voou pela janela porque o exemplar é da minha irmã.