sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Minha vida é o Código Da Vinci

Nos últimos anos, coisas estranhas têm acontecido comigo: pessoalmente, profissionalmente, yadda, yadda, yadda. Geralmente, coisas estranhas e ruins (porque há o estranho bom, sei que ele existe).

Minha forma de lidar com essas situações é dar uma de Robert Langdon e transformar minha vida no Código Da Vinci, tentando descobrir as pistas por trás dessas bizarrices: "Por que isso está acontecendo comigo? O que isso significa? Como posso crescer aprendendo com essa situação?"

O que gera esse comportamento é uma crença que eu fui adestrada a ter de que nada na nossa vida acontece por acaso, que tudo tem um propósito. Então, fico farejando qual o motivo dessas estranhas ocorrências: o que elas querem me mostrar? No que elas vão dar? Por que preciso passar por elas?

Mas, longe de ter o brilhantismo do professor de Simbologia criado por Dan Brown, eu só consigo chegar a uma única conclusão em minha batalha quixotesca para tentar ler o que Deus escreve em linhas tortas: só posso crer que Ele está de sacanagem comigo.

  • Foto: Please, help me, Professor Langdon!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

É dos narigudos que elas gostam mais?

Em termos gerais, sou uma pessoa absolutamente normal. Mas, só para não contrariar Freud, confesso que tenho um fetichezinho: homem narigudo. Sou fissurada por narizes grandes (nem eu mesma sei o porquê).

Mas também não é qualquer nariz grande, tem que ter um determinado formato. Deve ser aquilino, em um estilo romano, fino na ponta, com a ponte bem destacada. Três exemplos de narizes maravilhosos: Patrick Dempsey, Noah Wyle e Javier Bardem (a exceção na descrição que fiz, o nariz dele não é fino na ponta. Mas é uma coisa!).

Pensava eu que estava solitária nesta preferência, quando me deparo com uma comunidade no Orkut chamada "Eu adoro um narigudo". E, pasmem, com quase 2 mil integrantes!

Fiz uma pequena busca no Google para saber se há algo científico a respeito disso. E achei uma matéria de abril de 2008 sobre um estudo britânico publicado no Journal of Evolution and Human Behaviour em que concluiu-se que as mulheres percebem homens narigudos como menos propensos a um relacionamento sério e mais dispostos a sexo sem compromisso.

O que isso diz sobre mim? Que está biologicamente comprovado que eu não procuro por um relacionamento! kkkkk

  • Foto 1: Noah Wyle, como o Dr. Carter da série "ER".
  • Foto 2: O adorável perfil de Javier Bardem.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Problemas com o acordo ortográfico

Em geral, não sou uma pessoa resistente a mudanças. Deus sabe como minha vida tem sido uma movimentação danada nos últimos anos, e se eu não lidasse bem com mudanças estaria hoje internada no Pinel.

Mas esse acordo ortográfico que entrou em vigor este ano tem algumas resoluções equivocadas. Não falo nem da idéia estapafúrdia de tirar o acento de... ideia, por exemplo. Isso aí a gente vai levando. O problema é quando a reforma gera textos com significados diversos, como o que acabo de ler no Globo Online:

"Inglaterra: pior nevasca em 18 anos para os transportes"

Como todos sabemos (ou pelo menos a maioria), o novo acordo ortográfico achou por bem abolir o acento que diferenciava o verbo "pára" da preposição "para". Mas, e agora, José? O que o jornalista quis dizer com essa manchete? Que a nevasca foi péssima para os transportes? Ou que a nevasca parou os transportes?

Conto breve

Primeiro foram as mãos. Foi a primeira parte do corpo de Otávio que eu vi. Eram mãos de dedos longuíssimos e finos, como talos de margarida. As unhas, bem rosadas, se uniam em grupo, folheando uma revista com tanto cuidado que ela parecia o pergaminho mais antigo do mundo.

Depois, o sorriso. Alguma coisa na revista o fizera sorrir, e seus dentes eram bem brancos e alinhados. Os lábios eram normais, nem finos, nem grossos, mas bastante vermelhos. E como a boca estava ali, para notar seu nariz levemente adunco era um passo. E depois de notar o nariz, os olhos negros, de um negror tão forte que íris e pupila se fundiam.

E de novo os dedos, quando ele passou para a outra página. Eram dedos que combinavam deliciosamente com seus braços, também compridos. Às vezes, quando ele me abraçava, dava a impressão de que podia abraçar o mundo todo junto. Braços que se uniam nas minhas costas, dando um nó tão perfeito que pensei que nunca se desmancharia.

Mas se desmanchou. E agora, a última parte do corpo de Otávio que eu vi eram suas costas largas, caminhando decididamente para uma direção oposta a que eu queria que caminhasse.

  • P.S.: Já escrevi esse conto há algum tempo, e gosto muito dele.