
E o que posso dizer do livro? Recomendo com louvor, crianças. O organizador saiu mundo afora à procura de cartas escritas por soldados durante conflitos para seus familiares, amantes, amigos, além das cartas de resposta dessas pessoas que tentavam, mesmo que à distância e por papel, levantar o moral das tropas. Pensei que seria um livro pesado, triste, mas o organizador conseguiu equilibrar: tem cartas engraçadas, leves, superinteressantes, histórias de amor que deram certo (ou não). Também tem cartas tristíssimas, é claro - e engasguei várias vezes lendo o livro. Mas é um relato que ninguém deveria se furtar de ler.
Tem um capítulo especial só com cartas dos pracinhas brasileiros que serviram durante a Segunda Guerra Mundial. Vou colocar uma aqui bem engraçadinha, enviada por Otto da Costa Soares ao irmão Walter, que estava combatendo na Europa. A carta foi escrita depois do fim da guerra, em 8 de maio de 1945:
Prezado irmão,
Em virtude dos últimos acontecimentos no cenário da guerra, tem sido grande, entusiástica mesmo, a alegria que reina em toda parte do Brasil.
Aqui no Rio, o Dia da Vitória foi bem expressivo e veio encher de alegria os corações das famílias que têm representantes na FEB e cujo maior desejo sempre foi ver, de vez, o fim dessa grande tragédia que tanto feriu a humanidade.
Agora só nos resta ver de volta aos lares os valentes soldados que souberam elevar bem alto o nome de nossa pátria.
O assunto em foco aqui no Brasil, atualmente, são as eleições.
Ainda bem que vocês virão todos a tempo para apreciar de perto as suas fases finais.
Há quase um mês que não recebemos carta tua e estamos na expectativa.
Todos aqui estão bem de saúde e enviam abraços. Mamãe manda-te muitos beijos e só pensa na tua volta...
Festa agora aqui é mato. Quase todos os dias me aparecem convites. Pequenas aqui é mato também.
Eu já não posso dar conta de todas elas.
Um abraço fraterno,
Otto Costa Soares.
Elaine,
ResponderExcluirEste livro já está na minha lista!
bjs
Olá, O Otto Costa Soares é meu Tio, faleceu há não muito tempo e o irmão dele, Walter, que é o mais velho de uma "tropa de 6", ainda vive no Bairro de Santa Rosa, em Niteroi - RJ. Só para você saber, logo que ele voltou casou e hoje tem 4 filhos e 11 netos, se não esqueci de ninguém. O Otto tem três filhas, 5 netos e continuou um galã bonitão até seu falecimento. Tenho o livro, mas por incrível que possa parecer não o li todo, fico muito nostálgica. Sds.
ResponderExcluir