
Eu sou apaixonada pela obra do Poe. Meu primeiro contato com ele foi na sétima série, quando a professora de português passou como livro paradidático "O Escaravelho de Ouro e outras histórias", editado pela Ática. Contém algumas das histórias horripilantes de "Histórias Extraordinárias", o livro original do Poe: "O barril de Amontillado", "O gato preto", "A queda da casa de Usher", entre outros. Lembro de ter ficado muito assustada com "O gato preto" e logo elegi "O barril de Amontillado" como meu conto favorito.
Foi através do Poe que reacendi meu interesse por Sherlock Holmes: eu já gostava do detetive inglês por causa do jogo "Scotland Yard", da Grow, mas só fui ler os contos depois de ter conhecido o Poe, que foi o precursor do gênero policial. Sherlock é o herdeiro natural de Dupin, o detetive criado por Poe em "Os assassinatos da Rua Morgue" que, como Sherlock Holmes, recorre à dedução lógica para solucionar mistérios.
Muito bem, mas o que isso tudo tem a ver com o título maluco desse post? Bem, o título faz referência a uma história muito engraçada que aconteceu comigo envolvendo o Poe - história essa que conto agora.
Já adulta, ganhei de um namorado a obra completa do Poe. Na época estudante e estagiária, naquela contenção de despesas própria dessa fase da vida, adorei o presente. Eu morava no Rio e estudava e trabalhava em Niterói, gastava duas horas em transporte público para chegar do outro lado da poça. Com isso, eu lia muitos livros no ônibus e na barca, e as obras completas do Edgar Allan Poe eram perfeitas para esse propósito: como era um tomo único (e de dimensões pequenas também), podia levá-lo para ler no caminho para o trabalho.
Num desses dias de leitura no ônibus, um rapaz que vinha a meu lado resolveu puxar conversa:
"Poxa, você gosta mesmo de ler, né? Não largou esse livro nem por um instante..."
"Gosto" - foi minha resposta seca, porque detesto que me interrompam quando estou lendo.
Mas o rapaz não desistiu de puxar conversa comigo: olhou a capa do livro que eu estava lendo, leu o nome do autor e quis parecer entendido:
"Poe, é? Não é aquele escritor alemão?"
"Poe era americano", respondi, a título de elucidação.
"Ah...", fez ele, pensando um pouco. Porém, tentou mais uma vez:
"Era escritor da Idade Média, né?"
Não sei como o coitado do rapaz achou que haveria algum escritor americano na Idade Média, mas o esclareci que Poe não existia ainda na era medieval. Cansado de dar tanta bola fora, o cara simplesmente considerou:
"Acho que vou ler a obra dele também".
Espero sinceramente que o tenha feito.
Oi Elaine;
ResponderExcluirPois é, estranhei o título do post...
Mas que história, cara doido...
Poe é ótimo, conheci os escritos dele em 1990, não parei mais de ler. Gosto muito desses: "O corvo", "Demônio da perversidade", "William Wilson"...
Bom início de semana pra você!
Beijos :)